Bangers Open Air 2026: os altos e baixos do festival
- Anderson Nepomuceno

- 27 de abr.
- 4 min de leitura
O festival Bangers Open Air ocorreu nos dias 25 e 26 de abril no Memorial da América Latina, em São Paulo. Desde 2023, chamado Summer Breeze Brasil, o evento se firmou como o maior festival de heavy metal do Brasil. Em 2025, apenas o nome mudou, mantendo a proposta original. Em 2026, acompanhei mais uma edição, analisando os pontos positivos e negativos do evento.
Os altos:
Bandas: as bandas que participaram proporcionaram uma variedade musical. Embora o público tenha expressado diferentes opiniões sobre o line-up, não há consenso quanto à sua qualidade geral. De modo geral, as bandas apresentaram performances de alto nível, atendendo às expectativas dos fãs de diversos estilos musicais.
Palcos: desde a primeira edição, o memorial conta com quatro palcos, permitindo uma circulação dinâmica entre eles e garantindo grande diversidade. Destaco especialmente o Auditório Simón Bolívar, localizado dentro do teatro, que não só é um espaço belíssimo, mas também foi palco de apresentações marcantes de bandas nacionais, dignas dos melhores festivais.
Estandes: estandes variados atenderam a todos os gostos, com vendas de itens como material promocional, CDs, discos e revistas superando expectativas. A Horror Expo também marcou presença, animando o público do festival.
Sinalização: embora o espaço seja amplo, toda a área estava bem-sinalizada, facilitando a locomoção. Mesmo nos trechos da passarela que costumam ficar lotados, nesta edição o fluxo de pessoas esteve mais organizado.
Água e higienização: pontos de hidratação foram essenciais diante das altas temperaturas durante os dois dias do festival. Em relação aos banheiros, observou-se que a organização demonstrou maior atenção nesta edição, atendendo adequadamente às exigências comuns em eventos de grande porte.
Alimentação: considero que os bares e locais de comida ofereceram opções variadas e conseguiram satisfazer as preferências de todos.
Os baixos:
Preços: apesar da variedade, alguns itens estavam mais caros do que na edição anterior. Alguns preços eram justos, outros elevados. Cada pessoa escolheu conforme suas possibilidades.
Som: como fotógrafo, costumo levar protetores auriculares para eventos musicais, e ainda bem que levei novamente nesta edição. Usei-os durante todo o domingo, pois tive a impressão de que o som estava significativamente mais alto do que no sábado. Do palco Sun Stage, situado antes da passarela e dos principais palcos, Ice e Hot Stage, percebia-se o som intenso vindo de lá, chegando até a atrapalhar o show da primeira banda, Vision of Atlantis. Pensei que isso aconteceria apenas na abertura, mas o volume elevado permaneceu em todos os palcos, inclusive dentro do auditório. Não sei se foi uma escolha intencional, mas usei meus protetores auriculares o tempo todo no domingo.
Filas: era esperado encontrar filas dentro do festival, especialmente nos bares. O problema, porém, foi a fila de sábado para acessar o evento. Algumas pessoas relataram esperar mais de uma hora e meia, perdendo assim as primeiras bandas. Se a primeira apresentação estava programada para o meio-dia, seria mais adequado abrir os portões às 10h ou 10h30, em vez das 11h. Além disso, houve falta de informações e poucos funcionários orientando o público sobre as entradas do Lounge e da pista comum. No sábado, a organização deixou a desejar, mas, segundo relatos, domingo apresentou melhorias.
Bombeiros civis: em relação aos bombeiros civis, na minha opinião, nesta edição, notei um número aparentemente inferior ao da anterior. Considera-se recomendável priorizar o investimento nesses profissionais, visando garantir uma equipe adequada para situações emergenciais, assim como ocorreu com os profissionais de limpeza.
Segurança: o público de rock e heavy metal é reconhecido pela lealdade ao gênero. Devido à menor oferta de eventos desse tipo no Brasil, esses fãs costumam comparecer a shows e festivais sempre que possível, motivados por seu apreço pelo estilo musical.
Enquanto fotógrafo, realizo trabalhos em variados estilos musicais e percebo que a fidelidade dos públicos não se manifesta da mesma maneira em gêneros como rock e heavy metal. Nos eventos de rock que acompanhei ao longo da minha carreira, posso afirmar que nunca presenciei confusões.
O Bangers, conhecido também por ser um ambiente familiar, de fato, vi muitas famílias e crianças, há um espaço para as crianças, isso é perfeito para o fomento do estilo. Todos são muito bem-vindos e bem-vindas. O festival é grande e não posso afirmar que já houve ou não alguma confusão. Assim como eu disse que investiria nos profissionais de bombeiros civis, eu também, investiria em mais seguranças distribuídos em pontos estratégicos para que tenham acesso se acontecer alguma confusão.
Essa confusão aconteceu, houve uma briga logo no início do show do Angra. Talvez, devido essa reunião de Angras, Angraverso, etc, houve um aumento de público durante esse show. Em frente ao local onde fica a mesa de som, equipamentos, entre outros, estava uma aglomeração que impossibilitava o fluxo natural de pessoas. Um empurra daqui, outro de lá. Neste momento, eu estava me direcionando para ir embora. Sim, eu não assistiria ao show do Angra. Assim que acabou o show do Within Temptation, eu iria embora. Mas, eu estava certo de que a única saída do festival seria aquela do outro lado. Eu fui andando, quando de repente eu estava preso nessa aglomeração. Resumindo a história, não sei o que houve, mas logo na minha frente, um cidadão resolveu dar um soco no outro e abriu um buraco devido a briga. Estava um casal ao meu lado, e conseguimos passar para o outro lado para fugir do conflito. No entanto, esse cidadão transtornado queria mais briga e tentava agredir o tal “agressor”. Mas, ele não conseguiu e outros foram para cima dele. Eu segui e não vi o que aconteceu, o fluxo e aglomeração continuava. Triste ver mulheres em pânico, sem entender o que aconteceu, tentando sair dali, sem sucesso. Durante esse percurso eu até falei ao casal: “o pior que eu estou preso aqui e nem quero ver o show”. Com muito custo, consegui passar para o outro lado e procurei por um segurança para avisar, mas não encontrei. Só vi um na entrada da mesa de som. Contei o fato, mas nada fez ou não podia fazer. Então, acredito que na próxima edição, invistam em segurança. Não sei que fim levou o cidadão que tentava agredir o outro a todo custo, talvez tenha sido algum fã fervoroso do Angra que nos altos da sua excitação pensou que estava numa batalha de espadas no Angraverso. A esse cidadão, certo ou não, fica o meu repúdio. O festival não tem culpa, mas pode ajudar da próxima vez. Pelo menos, não haverá nenhuma outra reunião, eu acho. Da próxima vez Kiko, não se junte a essa gentalha!

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